"Na pesca há um desportista, o homem no rio, e o outro desportista, a truta na àgua." Armando Valdez |
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| Achigãs à Pluma |
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| Escrito por José Rodrigues | |
| 28-Mar-2007 | |
Achigãs à pluma, como começar?! Achigã, o peixe fenómeno, que arrasta entusiastas por todo o mundo! De facto, são muitos os que dedicam horas sem fim a tentar a sua captura, deliciando-se com a sua espectacular agressividade perante iscos artificiais e com os seus majestosos saltos, quando é cravado. Muitas foram as horas dedicadas por mim, tal como tantos outros pescadores, em busca desta espécie à pluma. Uma grande parte das horas foram de insucesso, outras dedicadas a pequenas experiências e umas quantas de excelente pesca. Mas, isso sim, boas ou menos boas, todas elas foram, sem dúvida, horas de pesca inesquecíveis…
O Achigã foi uma das primeiras espécies que capturei à pluma, quando me iniciei na modalidade. O processo de aprendizagem foi longo: devorar artigos; estudar o seu comportamento; aprender qual era, normalmente, o seu alimento e onde os encontrar. As plumas também levaram o seu tempo a aperfeiçoar, assim como a técnica de lançamento, bem como trabalhar as plumas nas mais variadas condições. Vamos agora falar de alguns pontos-chave para o sucesso da sua pesca à pluma. O Material O achigã não é um peixe muito lutador, se comparado com uma carpa ou um barbo de peso semelhante, mas, mesmo assim, necessitamos de equipamento à altura. Quando falo de equipamento à altura, falo de uma cana para linha 7 ou 8, para que tenhamos maior facilidade no lançamento e no trabalhar das plumas. Em dias de vento, por exemplo, ou nos dias em que necessitamos de lançar durante várias horas, embora possamos utilizar uma cana para linha 5 ou 6, será muito mais custoso e difícil do que com uma linha 7 ou 8. Eu, pessoalmente, acho que a cana ideal para esta pesca é uma cana para linha 8. O carreto não é o mais importante. Não necessita de ter grandes especificações, mas deverá, isso sim, ter capacidade para colocarmos algum backing, não apareça uma carpa interessada no nosso streamer, o que não é muito comum, mas já me aconteceu em tempos e é, sem dúvida, algo a temer, especialmente se esta for de bom tamanho.
![]() Os Baixos de Linha Os baixos de linha irão variar, conforme queiramos pescar os achigãs com streamers ou com plumas de superfície. Podemos utilizar um baixo de linha semelhante para os dois tipos de plumas, especialmente quando estamos constantemente a trocar entre um popper e um streamer, mas devemos estar conscientes de que, em diversas situações, seremos mesmo obrigados a adaptar o baixo de linha, para que a pesca seja possível sem grandes problemas. Em termos gerais, um baixo de linha para pescar com streamer poderá ter como medida standard o comprimento da cana, 9 pés, ou seja 2,75m, enquanto que um baixo de linha para pescar com popper poderá ter apenas 2m de comprimento ou até menos. Lembrem-se sempre que uma pluma volumosa, como um popper, é sempre mais difícil de lançar que um simples streamer, daí ter referido a necessidade de um baixo de linha maior, ao utilizarmos este tipo de plumas.
Vamos passar agora a alguns exemplos práticos, para que seja mais fácil de compreender a relação do baixo de linha com o tipo de pluma e com o local onde pescamos. 1 – Vamos imaginar que estamos num local paradisíaco, repleto de achigãs. O dia vai a meio, o sol brilha, temos muita vegetação na água, alguma vegetação na margem e queremos usar um streamer para enganar uns achigãs que andam por lá, no meio das ervas. Neste caso, não vamos necessitar de um baixo de linha longo, já que o achigã não estará muito fundo. Além disso, teremos que passar o streamer por entre a vegetação, controlando-o muito bem, para que se contornem os obstáculos e para que este não fique preso. Aqui, podemos usar um baixo de linha com 1,5m ou 2m como máximo. Se existir muita vegetação e a intenção for pescar em águas mais fundas, para lá das ervas, não será boa ideia pescar com um baixo de linha de 1,5m, já que, a meu ver, seria um pouco curto para conseguirmos colocar a pluma a 1m de profundidade. 2 – Neste momento, temos o mesmo cenário que na situação anterior, só que ao final do dia e com algumas árvores submersas à mistura e queremos ver um achigã a saltar no popper. A melhor opção é usar um baixo curto, de 1,5m ou 1,7m no máximo, já que os poppers são volumosos. Se utilizarmos um baixo de linha grande, a dificuldade cresce ao lançarmos um popper feito de pêlo de veado, por exemplo. Além disso, torna-se também algo cansativo, para além de não nos permitir ter o controlo necessário e, se soprar uma brisa, a dificuldade aumenta consideravelmente. Desta forma, com um popper e um baixo de linha curto, podemos ter vantagem em relação a outras técnicas, por podermos lançar e recolher a pluma muito rapidamente por entre as ervas e lançar de novo, no mesmo local, ou noutro, onde tenhamos detectado movimento segundos antes. 3 – Agora estamos numa zona aberta de uma barragem, sem grande cobertura visível. A água não é muito clara e vamos optar por pescar com um streamer, que será a escolha mais acertada. Aqui, o achigã pode estar em qualquer lado, na superfície ou a 1m de profundidade. Por isso, um baixo de linha com mínimo de 9’ estará bom. Começamos nos 9’, podemos colocar um ou dois pequenos chumbos fendidos à frente do streamer e já estamos a pescar a 1m de profundidade. Se houver a necessidade de pescar mais fundo, podemos aumentar um pouco o terminal e até lastrar um pouco mais o streamer. Claro que um baixo de linha muito longo será mais difícil de controlar no lançamento, já que na água não temos cobertura visível nem vegetação, mas pode dar-nos um bom achigã. Mas nem tudo são rosas e, com um baixo de linha muito longo, teremos dificuldade em sentir as investidas do achigã no streamer, a menos que estejamos mesmo decididos no que fazemos. Entretanto, não se esqueça de ir observando à sua volta, porque o sucesso, na maioria das vezes, está bem debaixo do nosso nariz. Como puderam ver, a escolha do baixo parece não ser fácil, mas podemos perfeitamente criar um standard, de forma a ser fácil aumentar ou diminuir o seu tamanho, consoante a necessidade. Os exemplos anteriores são exemplos bem reais, mas, se dominarmos bem o lançamento, podemos não sentir necessidade de diminuir o comprimento do baixo de linha num local com muita vegetação. Isto acontece-me muitas vezes. Por outro lado, também podemos aproveitar a dificuldade para aperfeiçoarmos a técnica e encararmos os enganches nas ervas como uma boa lição! As Plumas Montarmos as nossas próprias plumas é o complemento que torna esta modalidade ainda mais excitante e apaixonante. No caso da pesca ao achigã, mantém-se esta ideia, já que podemos criar plumas mais simples ou mais complexas e aperfeiçoá-las ao longo do tempo, através da experiência adquirida nas jornadas de pesca. Mas atenção, muitas vezes o mais importante é ter fé na nossa pluma!
As plumas para o achigã podem ser de vários tipos: podem ser do tipo afundante (streamers), ou de superfície (poppers, divers e sliders). Claro que também podemos considerar plumas de superfície as imitações de libélulas, aranhas, rãs ou outros seres. Vamos agora falar de cada um dos diferentes tipos de plumas. STREAMERS Muitas vezes ouço dizer que o achigã é um peixe “estúpido”, que ataca qualquer coisa que cai na água! Bem, pessoalmente, nunca tive a sorte de pescar num dia assim. Para mim, o achigã é esperto até de mais e a forma da pluma, a sua cor, o seu movimento e a forma de ser trabalhada é determinante para o sucesso. A vantagem de uma pluma é que a podemos construir com vários materiais, para que se torne muito atractiva ou discreta e com movimento mais ou menos natural. Quando os achigãs não se encontram naqueles dias míticos, em que atacam qualquer coisa, temos de trabalhar a pluma de uma forma mais natural, com menos velocidade pelo meio da vegetação ou das árvores submersas, para que o achigã a veja, não tanto como algo que o está a irritar e a tentar forçar o seu ataque, mas sim como algo mais natural e semelhante ao seu alimento. Um dos maiores achigãs que apanhei à pluma tinha 46cm e foi enganado com uma pequena ninfa de 2,5cm, em anzol nº12.
![]() Hoje em dia, são inúmeros os materiais que temos à disposição para utilizar na montagem de alguns modelos de plumas, muito efectivos. Só para dar um exemplo, para fazermos um bom popper, pouco volumoso e com grande flutuabilidade, podemos aproveitar o “foam”: em bom português, é aquele chinelo de praia que já não usamos e está num canto ou que encontramos enquanto damos um passeio à beira mar. Podemos também optar por adquirir materiais específicos para a montagem de plumas, como, por exemplo, pêlos e penas de vários tipos e cores ou materiais sintéticos substitutos de alguns materiais naturais, dos quais o meu preferido é, sem dúvida, o fish hair. É também bom não esquecer os materiais holográficos que, com o seu brilho, darão à nossa pluma um toque irresistível. É escusado falar de técnicas para trabalhar a pluma. Isso tem de ser treinado por cada um e não ensinado. Aprende-se, ao estarmos lá, no local da pesca e sentirmos como os peixes reagem aos movimentos da pluma. Assim teremos de adaptar a pluma ao baixo de linha e o baixo de linha ao restante conjunto, para que seja possível lançar da forma correcta, colocar a pluma no sítio certo e trabalhá-la de forma a que nos possa dar o peixe das nossas vidas. |
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