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Barbos à pluma com ninfa PDF Imprimir e-mail
Escrito por José Rodrigues   
28-Mar-2007

Barbos à pluma com ninfa


Desde o dia em que peguei numa cana de pluma e lhe coloquei na extremidade uma pluma montada por mim, conseguindo enganar aquele peixe que, noutros dias, me ocultara a sua beleza, tudo mudou! Então, vi que a pesca tinha outro sentido, tinha muito mais para dar que o simples apanhar um peixe, tinha todo um mundo de conhecimento em que a natureza estava presente e era possível senti-la. Depois, todo este mundo foi direccionado por mim e por muitos outros pescadores de modo a capturar barbos, carpas, achigãs e robalos à pluma, artes em que o importante não é capturar muitos exemplares, mas vencer a dificuldade que cada um representa. Sei que isto apenas tem significado quando o sentimos na pele, mas sei também que, com estas palavras, é possível partilhar um pouco do que sinto e despertar a sua vontade de experimentar.


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Uma questão de observação.

A pesca à pluma, mais que qualquer outra modalidade, obriga o pescador a estudar em profundidade a espécie que pretende pescar, porque, ao não ser utilizado qualquer tipo de engodo ou isca viva, é necessário compreender do que realmente a espécie se alimenta, como e quando o faz.

Os afluentes do Rio Douro são ideais para a pesca do barbo à ninfa, porque em Maio e Junho os barbos sobem os rios para dar início ao seu ciclo reprodutivo, tornando-se fácil detectar a sua presença: normalmente, encontram-se em grande número e é possível observar as suas manchas escuras no leito do rio. Um espectáculo natural digno de ser visto.

Para quem pesca à pluma, o desafio começa quando chega a um rio com grande quantidade de barbos, porque cada rio é um rio e o barbo nem sempre tem o mesmo comportamento e nem sempre demonstra receptividade às nossas plumas. Foram muitas as pescarias em que barbos de grande tamanho passeavam pelo rio, mas nenhuma pluma despertava o seu interesse. Nestes casos, apenas podemos imaginar a sensação de convencer tal peixe a comer a nossa pluma e a luta que poderia proporcionar.

 

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O material

O barbo é um peixe muito forte que irá, sem dúvida, pôr à prova as capacidades de resistência de todo o material, ainda mais em zonas com alguma corrente, porque nestas um barbo cravado é muito mais resistente – ele aproveita a corrente para descer o rio e mais ainda quando se coloca na corrente forte dos rápidos. O grande desafio da pesca desta espécie à pluma é tentar fazê-lo com material ligeiro, aumentando a dificuldade... e a nossa satisfação.

A cana.

Para pescar o barbo à ninfa, recomendo uma cana para linha nº 4 ou nº 5 de 9 pés (2,70 m). Claro que isto depende do tamanho dos barbos e do espaço para manobrar um exemplar de bom tamanho. Se o rio for largo e sem obstáculos, podemos optar pela cana de linha nº 4 e, assim, mesmo com um grande barbo cravado, não teremos problemas de maior, ainda que normalmente tenhamos de descer uns bons metros de rio. Caso contrário, teremos de utilizar uma cana para linha nº 5 ou até superior, de modo a travar as tentativas dos barbos em descerem ou subirem os rios.

O carreto.

Mesmo sendo possível utilizar um carreto de pluma normal, sem grandes características, eu aconselho a utilização de um carreto com travão de disco, com capacidade para uma linha WF da mesma numeração da cana utilizada e uns 20 m de backing (linha de reserva), visto que poderemos ter uma agradável surpresa. Um barbo de bom tamanho, quando cravado, leva rapidamente uma quantidade aceitável de linha do carreto. Daí que, nestas condições, o carreto seja importante para ajudar a controlar as suas fugidas.

O baixo de linha.

Quanto ao baixo de linha, é complicado indicar um que se adapte a todas as situações de pesca, pois este depende de vários factores, como se vamos pescar à ninfa ou com pluma seca e se a água tem muita ou pouca corrente ou profundidade. Por exemplo, se pescarmos à seca ou à ninfa em zonas de pouca corrente, o baixo de linha deverá ser cónico e com um comprimento mínimo de 9 pés (2,70 m), mas se pescarmos com ninfa em zonas de rápidos, é aconselhável utilizar não um baixo de linha cónico, mas sim 1,5 m ou 2 m de nylon directo com 0,18 mm de diâmetro.

As ninfas.

O barbo alimenta-se, sobretudo, de larvas de insectos que vivem no leito do rio e que, muitas vezes, se soltam das pedras, sendo arrastadas pela corrente. Apenas se deslocam para perto da superfície durante os meses quentes, em busca de insectos provenientes de alguma eclosão momentânea ou de pequenos insectos terrestres que, por acidente, se precipitam na água.

As ninfas utilizadas deverão imitar algumas destas larvas. Podem ser feitas em vários materiais, tanto de origem sintética como natural. Quanto ao anzol, é muito importante utilizar um modelo muito resistente, já que na luta com um bom barbo é comum o anzol quebrar ou dobrar. Durante a montagem das ninfas, é importante colocar um pouco de fio de chumbo na haste do anzol, para que esta afunde mais rapidamente. Claro que cada montador tem a sua própria maneira de montar uma ninfa e certamente irá utilizar toda a sua criatividade para lhe dar aquele toque pessoal que a tornará única.

Se, em acção de pesca, verificar que o peso da ninfa ainda não é o suficiente, poderá colocar acima da mesma, a uma distância de 20 cm, dois ou mesmo três pequenos chumbos redondos, iguais aos utilizados na pesca à inglesa e à francesa. Assim, conseguirá que a ninfa se coloque rapidamente na trajectória do barbo.

A acção de pesca.

Na pesca do barbo à ninfa, em zonas de rápidos, poderemos retirar uma grande vantagem da velocidade da água, porque o barbo será obrigado a escolher em pouco tempo se vai comer ou não o que lhe passa ao alcance.

 

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Claro que isto é discutível, mas foi uma das explicações que encontrei numa situação em que, num rápido com mais ou menos 1 m de profundidade, os barbos mostravam interesse pelas ninfas e uns 15 m a montante, onde as águas eram um pouco mais calmas, simplesmente ignoravam a ninfa e, muitas das vezes, apenas o impacto da ninfa na água era suficiente para os pôr em fuga. Além disso, via barbos a chegar ao rápido, enquanto outros passavam para águas mais calmas a montante, o que levava a crer que não se mantinham muito tempo no local.

Sendo assim, aconselho a pesca em zonas de corrente, já que os barbos demonstram, normalmente, uma maior actividade e pode aproximar-se deles facilmente sem ser visto, sem precisar de grandes lançamentos. O facto de não ser necessário lançar a grande distância faz com que seja possível manter o braço estendido e percorrer a corrente, de modo a que a ninfa esteja quase na vertical em relação à cana, o que é uma grande ajuda para detectar o toque subtil do barbo.

 

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É indescritível a sensação de estar num rio com água pela anca e ver os barbos a subir a corrente, à espera da chegada das grandes fêmeas, para iniciarem o seu ciclo reprodutivo. Daí que, além de os pescar e de sentir o prazer que a sua pesca nos proporciona, é igualmente importante pensar na preservação dos nossos recursos naturais, para que as gerações futuras possam ver e viver estes momentos. Seja responsável e pense sempre em pescar e soltar.

Pesca sem morte.

Apesar da realidade de risco que as espécies de mar correm hoje em dia, são as espécies de águas interiores, pela limitação geográfica inerente ao seu habitat, as que mais sofrem com a pressão de pesca. Os barbos têm também um lugar nesta pirâmide de preservação das espécies. A necessidade de encarar a pesca como um desporto, praticando a pesca sem morte é cada vez mais um caminho a seguir, pelo que a libertação das capturas, em condições de sobrevivência, é o conselho que aqui deixamos.

 


 
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