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"O que sabe o peixe da agua em que nada toda a sua vida?"    Albert Einstein

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Tucunarés à Pluma
Escrito por Érico (Bata)   
Sábado, 31 Janeiro 2009 00:31

Existem várias espécies de tucunaré: tucunaré-açu, tucunaré-paca, tucunaré-pinima, tucunaré-pitanga, tucunaré-vermelho, tucunaré-azul, tucunaré-amarelo, tucunaré-borboleta, tucunaré-fogo, tucunaré-popóca, todas essas espécies são conhecidas pelos americanos como Peacock Bass.

Olá amigos do site Segredos da Pluma, o meu nome é Érico, no entanto, prefiro ser chamado de Bata. Sou um pescador desportivo natural do Brasil, pesco à pluma desde 1995 e grande parte das minhas pescarias são dedicadas ao tucunaré.

Nome Popular: Tucunaré
Existem várias espécies de tucunaré: tucunaré-açu, tucunaré-paca, tucunaré-pinima, tucunaré-pitanga, tucunaré-vermelho, tucunaré-azul, tucunaré-amarelo, tucunaré-borboleta, tucunaré-fogo, tucunaré-popóca, todas essas espécies são conhecidas pelos americanos como Peacock Bass.

Seu nome Científico: Cichla spp
Família: Cichlidae
Distribuição Geográfica:
Na Bacia Amazónica encontramos o tucunaré-paca, o tucunaré-açu (os maiores do Brasil, no Rio Negro), tucunaré-borboleta, tucunaré popóca (no rio Guaporé),  tucunaré-fogo (na região do rio São Benedito, para mim o mais belo de todos)  e na Bacia do Araguaia-Tocantins, o tucunaré-azul, o tucunaré-amarelo e o tucunaré-pitanga, merecendo destaque a introdução das espécies de tucunaré-amarelo e tucunaré-azul nas barragens da Bacia do Prata, em algumas áreas do Pantanal acidentalmente, no rio São Francisco e nos açudes do Nordeste.

Descrição:
Peixe de escamas, corpo alongado e um pouco achatado. Existem pelo menos 14 espécies de tucunarés na Amazônia, porém, as cinco espécies descritas são: Cichla ocellaris, C. temensis, C. monoculus, C. orinocensis e C. intermedia.
Exemplares adultos podem medir 30 cm ou mais de 1m de comprimento dependendo das espécies. As suas principais cores são: amarelado, esverdeado, avermelhado, azulado, quase preto, entre outros, suas formas de manchas podem ser grandes, pretas e verticais ou com pintas brancas distribuídas regularmente pelo corpo e barbatanas, todavia, podem ocorrer diferênças de espécie para espécie.
Em todas as espécies de tucunarés há uma mancha redonda (ocelo) no pedúnculo caudal, sua função é iludir o predador, pois, ao imitar um olho faz com que o predador venha atacá-lo pela cauda dando assim possibilidade de fuga ao tucunaré.
São espécies sedentárias (não realizam migrações), pois vivem em lagos/lagoas (entram na floresta inundada durante épocas de cheias) e em diversas partes dos rios. Formam casais reproduzem-se em ambientes lênticos (lagos e lagoas), onde constroem ninhos e cuidam de seus alevins. Quando estes se apercebem que os alevins correm perigo, para protegê-los, guardam-nos dentro da sua boca. Nesse período de protecção o tucunaré não se alimenta, apenas ataca se for em defesa da ninhada. Possuem hábitos diurnos e alimentam-se principalmente de peixes e camarões. São as únicas espécies de peixes da Amazónia que perseguem a sua presa, em que após iniciar o ataque não desistem até que a consigam capturar, é essa atitude que os tornam um dos peixes mais desportivos do Brasil, afinal, quase todas as outras espécies de peixes predadores desistem após a primeira ou segunda tentativa mal sucedida.

 

A pesca do tucunaré à pluma:

Imagine um local com algas e troncos a sair da água... Agora imagine-se nesse mesmo local com seu material de pluma... Já imaginou? Monta todo o equipamento, escolhe uma Crease fly, ata-a no terminal e lança. Coloca a pluma no local escolhido e começa a trabalhar a pluma fazendo com que ela nade na superfície pelo meio estruturas, quando de repente, surgindo do nada, uma grande explosão... A seguir crava! Responsável por uma enorme descarga de adrenalina em nós pescadores e dono de uma força incrível para o seu tamanho com fortes arranques, saltos e muita emoção! Quando vem à superfície, vencido pelo cansaço eis um belo exemplar de Tucunaré! Muitas vezes as nossas plumas são destruídas pelos ataques desse fantástico peixe que se tornou recentemente o "superstar" da pesca desportiva mundial.

Qualquer ser vivo que esteja no seu território será vítima da sua ferocidade e agressividade e dificilmente sairá com vida e se for a sua pluma então a emoção estará garantida. 

Não é tarefa difícil despertar interesse e a fúria deste peixe pelas nossas plumas.  Os locais mais propícios para encontrá-lo são estruturas submersas como arvores, troncos, pedras, algas, ambientes ideais para que esse grande predador fique a espera de sua próxima vítima.

O Tucunaré é um peixe que permanece activo o ano inteiro, ainda que, em alguns locais do Brasil, por ser um país de dimensões continentais, tem melhores épocas do que outras. Por exemplo, no Estado do Amazonas a temporada de pesca vai de Julho a Fevereiro, no Estado do Pará de Maio a Novembro, no Estado de Tocantins o ano todo, na Barragem de Serra da Mesa em Goiás de Março a Outubro, no Rio Araguaia, que abrange vários Estados, de Maio a Outubro.


Os conjuntos utilizados na sua pesca são: conjuntos do número #4, para os pequenos tucunarés, até conjuntos para linha #10 para grandes tucunarés-açus do Rio Negro. Já os conjuntos de números #6 a #8 são normalmente os mais utilizados pelos amigos mosqueiros.

As linhas serão as Weight-forward floting (wf-f), pois a maioria das plumas utilizadas para pescar o tucunaré são plumas grandes e volumosas e têm como função movimentar-se na superfície da água, já que o grande gozo desta pesca é fazer o tucunaré atacar a pluma na superfície. 
Indico ainda, para um maior conforto e tranquilidade dos lançamentos, pois a maioria dos lagos artificiais aqui no Brasil em certas épocas do ano tem ventos constantes, as linhas Bass Bug Tapers floting. Mas, em determinadas situações é necessário linhas intermédias, de ponta afundante, e totalmente afundantes, pois os tucunarés algumas vezes estarão mais no fundo, e a utilização dessas linhas fará com que a pluma passe mais perto do peixe o que dará maior probabilidade de um ataque. Também uma poderá ser utilizada uma linha shooting para alguns lançamentos mais longos quando for necessário cobrir uma maior área. Enfim, cada situação exigirá material específico.

O tucunaré não é um peixe que exige grandes apresentação da pluma, daí que, o baixo de linha para este tipo de pesca não necessita ter muitas secções de diâmetros diferentes, alguns pescadores de tucunarés usam apenas uma secção, os de fluo carbono, por exemplo, para a pesca no meio de arvores, ou seja, em locais onde existem muitos troncos submersos.

 

Apresento agora as duas fórmulas que mais utilizo para os conjuntos #6 e #8:

Os baixos de linha  para o conjunto #6:

• 60% de nylon 0.48 mm (com um comprimento nessa secção de 1.40 m)
• 20% de nylon 0.43mm (com um comprimento de 35 cm)
• 20% de nylon 0.37mm (com um comprimento de 35 cm) totalizando um comprimento de 2.1 m.


Para o conjunto #8:

• 60% de nylon 0.60 mm (com um comprimento nessa secção de 1.40 m)
• 20% de nylon 0.48mm (com um comprimento de 35 cm)
• 20% de nylon 0.40 mm (com um comprimento 35 cm) totalizando um comprimento de 2,10 m.

Quanto às plumas, deve dar-se preferência às que trabalham na superfície, pois o ataque de um tucunaré nestas plumas é o momento em que descarregamos a nossa adrenalina, momento de satisfação, de alegria que nos proporciona este tipo de pesca, sendo assim, vale a pena insistir com estas plumas para saber do que falo. As plumas que mais utilizo são: Crease Fly, Poppers, Bugs, Hair Bugs, Divers, Pencil Poppers e a técnica usada é lançar e trabalha-las com pequenos toques, ora mais rápido ora intercalando com pequenas paragens, para que a pluma faça barulho ou imite um outro predador, esses movimentos farão com que o tucunaré ataque para comer ou proteger seu território.


 


Mas, existem dias em que os tucunarés não estão a atacar na superfície, aí entram em acção os Streamers como Deceivers, Five Parts, Clouser Minons, Crazy Charlei fazendo um trabalho de sub-superfície, meia água e fundo. As cores das plumas são na maioria das vezes brancas com chartreuse, chartreuse e dorso verde-escuro, chartreuse com dorso preto, branca com dorso preto, amarela com dorso preto, amarela e laranja, brancas com a cabeça vermelha, deve-se ainda usar material holográfico para torná-las mais atractivas. Para esses tipos de plumas a técnica de usada é uma recolha constante com algumas pausas, ora mais rápido ora mais lento, até que se descubra qual será o movimento mais atractivo para o peixe no momento.

Aconselho ainda que seja colocado um anti-ervas em todas as plumas para o tucunaré, este pode ser feito em monofilamento duro, sem muita elasticidade. Para confeccionar um anti-ervas, podemos cortar um bocado de monofilamento de mais ou menos 15 cm com 0.60 mm para as plumas montadas em anzóis de números # 2 até 3/0 ou 0.50 mm para as plumas montadas com anzóis número #4 e #6, em seguida dobre ao meio, coloque-a sobre a haste perto do olhal do anzol e amarre, dê várias voltas passando por cima da linha de monofilamento em forma de X, para prendê-la bem, para finalizar realize uns nós e corte a linha de montagem, depois com o dedo puxe os dois pedaços de monofilamento que irão servir de anti-ervas até a ponta do anzol e corte o excedente um pouco abaixo da mesma. Isto porque geralmente os lançamentos são executados entre trocos, no meio das árvores, junto à margem, no meio de algas e outros tipos de vegetação inundada, o que justifica o uso de tal dispositivo.

 


Lançamentos de 20 a 25 metros são mais que suficientes. São usados na pesca do tucunaré, o Pickup e Lay and Down, para lançar a pluma rapidamente para o mesmo local após um ataque falhado. Por exemplo, se o pescador lança a pluma para o meio de uma abertura nas algas e o tucunaré falhou o ataque, este deverá lançar novamente e rapidamente a pluma para o mesmo local, pois possivelmente haverá um novo ataque.
Use o Doble hall (dupla tracção) para os lançamentos mais longos ou em dias de vento.
É oportuno lembrar que a precisão nos lançamentos é necessária, pois como já vimos anteriormente, a pluma tem de ser colocada no meio de estruturas, já que os tucunarés adoram ficar escondidos esperando sua próxima vítima!!!!!!!!! A sua pluma...

Os carretos utilizados na pesca do tucunaré são simples, pois apesar do tucunaré ser um peixe muito forte, não é um peixe de grandes corridas, sendo assim, não existe a necessidade de ter um carreto de extrema qualidade de travão.

A cana que indico é a de acção rápida com 9’ de comprimento, pois como foi dito anteriormente, situações com vento, a necessidade de longos lançamentos, faz com que seja necessário uma cana potente para combater com o peixe, caso contrário o peixe irá levar a linha para o primeiro pau ou tronco que aparecer.


É também importante não esquecer os acessórios de protecção: alicate de contenção para os levantar para o barco, dedeiras e luvas, porque se um tucunaré maior dá uma corrida, ainda que curta, poderá queimar o dedo. O protector solar, boné, protector labial, óculos polarizados, todos são necessários, diria até obrigatório para este e todos os tipos de pesca.



Caros amigos caso queiram conversar mais a respeito de fly fishing é só me adicionar no MSN: Este endereço de e-mail está protegido de spam bots, pelo que necessita do Javascript activado para o visualizar

Vejam outros artigos sobre o fly fishing em:
http://www.propesca.com.br


Abração e linhas tensas. Espero ter ajudado e incentivado os amigos a visitarem o Brasil para conhecer este fantástico e imponente peixe, o Tucunaré!!!!!!!!!!!!

Referência Bibliográfica:
Paulo Cesar Domingos da Silva, PESCANDO COM MOSCA, editora EDIÇÔES MARÍTIMAS

Site do IBAMA:
http://www.ibama.gov.br/pesca-amadora/areas-tematicas/agua-doce/tucunare/

 
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